Agronegócio
Congresso do Agronegócio discutirá crédito e comércio exterior
Publicado em
20/07/2026 - 08:31por
Da RedaçãoOs efeitos da instabilidade internacional sobre o comércio agrícola, as dificuldades de financiamento e as prioridades do setor para o próximo governo estarão entre os principais temas do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio. O encontro será realizado em 10 de agosto, no Sheraton São Paulo WTC Hotel, na capital paulista.
Promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) em parceria com a B3, o congresso terá como tema “Agro & Indústria — integrando e transformando o Brasil”. A programação concentra discussões com impacto direto sobre a atividade rural, como acesso ao crédito, seguro, infraestrutura, novas tecnologias, acordos comerciais e segurança jurídica.
A primeira mesa-redonda tratará da posição do agronegócio brasileiro diante das mudanças geopolíticas. O debate deverá abordar o avanço do protecionismo, os conflitos internacionais, a reorganização das cadeias de abastecimento e as exigências ambientais impostas aos produtos agropecuários.
Para o produtor, esses movimentos podem interferir nos preços recebidos, no custo dos fertilizantes e de outros insumos importados, no câmbio e no acesso a mercados. A discussão ganhou importância diante do aumento das disputas comerciais e da utilização de tarifas como instrumento de pressão entre países.
O painel terá a participação do embaixador Alexandre Parola e do diplomata Braz Baracuhy, com mediação do jornalista William Waack.
Outra parte da programação será dedicada às tecnologias desenvolvidas pela indústria para o campo. Automação, conectividade, biotecnologia, bioenergia e novas fontes de energia estarão entre os assuntos previstos.
A proposta é discutir como essas soluções podem elevar a produtividade e reduzir custos, mas também os obstáculos à adoção no meio rural. Entre eles estão a falta de conectividade, o custo inicial dos equipamentos e a dificuldade de acesso ao crédito para investimentos de longo prazo.
Participarão desse painel representantes da Solinftec, da Inpasa e da Bosch América Latina. O congresso também terá apresentações curtas sobre infraestrutura digital, verticalização da produção e tecnologias ambientais aplicadas ao agronegócio.
O crédito rural será tratado em um painel específico sobre investimentos e financiamento em períodos de volatilidade. A programação inclui discussões sobre seguro rural, gestão de risco, mercado de capitais e alternativas ao financiamento bancário tradicional.
O assunto chega ao congresso em um momento de margens mais estreitas em diferentes cadeias produtivas, aumento dos custos financeiros e maior dificuldade para renegociar compromissos. Também cresce a procura por instrumentos privados, como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), fundos de investimento e operações estruturadas por meio do mercado de capitais.
Representantes da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), da B3, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e da agência de classificação de risco S&P Global Ratings participarão da discussão.
A agenda política também terá espaço. A mesa “Novo Governo: Prioridades e Compromissos” deverá apresentar propostas do setor para o próximo mandato presidencial. Infraestrutura, ambiente regulatório, comércio exterior, inovação e integração entre produção rural e indústria estão entre os pontos previstos.
Segundo a organização, os candidatos à Presidência da República deverão receber um documento com demandas elaboradas pela Abag. A programação publicada até o momento, porém, não informa quais candidatos participarão presencialmente do encontro.
A mesa terá o pesquisador Alberto Pfeifer, do Insper Agro Global, o economista Sérgio Vale e Luiz Carlos Corrêa Carvalho, do conselho estratégico da Abag. O encerramento está previsto para ser feito pelo ex-presidente Michel Temer, em palestra sobre perspectivas políticas e econômicas.
O evento também entregará o Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade à pesquisadora Iêda de Carvalho Mendes, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ela participou do desenvolvimento da Bioanálise de Solo (BioAS), metodologia usada para avaliar a atividade biológica dos solos agrícolas.
O Prêmio Ney Bittencourt de Araújo, destinado a personalidades do agronegócio, será entregue a Luiz Carlos Corrêa Carvalho, sócio-diretor da consultoria Canaplan.
Realizado desde 2002, o Congresso Brasileiro do Agronegócio chega à 25ª edição. No ano passado, reuniu mais de 800 participantes presenciais e registrou aproximadamente 3 mil acessos à transmissão pela internet, conforme os organizadores.
Serviço
Evento: 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio
Data: 10 de agosto de 2026
Horário: credenciamento às 8h; programação das 9h às 18h
Local: Sheraton São Paulo WTC Hotel — Avenida das Nações Unidas, 12.559, Brooklin, São Paulo (SP)
Inscrição presencial: R$ 1.420, com almoço e intervalos incluídos
Transmissão on-line: gratuita, mediante cadastramento prévio
Inscrições e programação: congressoabag.com.br
Fonte: Pensar Agro
Agronegócio
Frigoríficos voltam às compras e boi gordo reage em parte do país
Published
14 horas atráson
20/07/2026 - 09:01By
Da RedaçãoA necessidade de completar as escalas de abate levou frigoríficos a aumentar as compras de gado e abriu espaço para a recuperação da arroba em algumas regiões. O movimento foi mais evidente em Goiás e Mato Grosso do Sul, mas ainda não representa uma alta generalizada do boi gordo no país.
Em Goiânia, a arroba a prazo encerrou a quinta-feira, 16, em R$ 320, alta semanal de 1,59%. Em Dourados, o preço chegou a R$ 325, avanço de 1,56%. São Paulo permaneceu em R$ 330, enquanto Cuiabá ficou em R$ 320 e Uberaba, em R$ 310. Em Vilhena, na contramão, houve queda para R$ 310.
A diferença entre as praças mostra que o poder de negociação continua ligado à situação de cada frigorífico. Empresas com escalas mais curtas aceitaram pagar mais para garantir animais, enquanto unidades abastecidas mantiveram as ofertas.
A continuidade da reação dependerá principalmente da disponibilidade de gado terminado e do ritmo de abate. Se a indústria voltar a alongar as escalas, a pressão compradora poderá diminuir.
O mercado também acompanha os efeitos da cota criada pela China para a carne brasileira. Em 2026, até 1,106 milhão de toneladas podem entrar no país asiático sem a tarifa adicional de 55%. Frigoríficos e analistas já consideram o limite comprometido por cargas entregues e produtos ainda em trânsito.
A restrição não impede novos embarques, mas torna as vendas que ultrapassarem a cota menos competitivas. Como a China é o principal destino da carne bovina brasileira, uma redução das compras poderá limitar a capacidade dos frigoríficos de sustentar preços maiores pela arroba.
Por enquanto, as exportações totais continuam fortes. Até a segunda semana de julho, o Brasil embarcou 104,7 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, com receita de US$ 668,1 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.
Na comparação com julho do ano passado, a média diária exportada cresceu 8,7%. O preço médio avançou 15%, para US$ 6.382 por tonelada, e ajudou a elevar em 25% a receita diária.
No mercado interno, o comportamento dos cortes foi desigual. O quarto dianteiro caiu para R$ 19 por quilo, enquanto o traseiro subiu para R$ 26. A perda de força do consumo na segunda quinzena e a concorrência da carne de frango dificultam reajustes mais amplos.
Para o pecuarista, o momento é de acompanhar as escalas e comparar ofertas. A arroba encontrou sustentação onde a indústria precisou comprar, mas a reação ainda depende de uma oferta controlada de animais e da capacidade dos exportadores de compensar a provável redução dos negócios com a China.
Fonte: Pensar Agro
Agronegócio
Pagamento de R$ 100 por javali abatido abre debate nacional sobre controle da espécie
Published
14 horas atráson
20/07/2026 - 09:01By
Da RedaçãoA aprovação de um pagamento de R$ 100 por javali abatido em Santa Catarina abriu uma nova frente no enfrentamento de uma espécie invasora já presente em pelo menos 15 Estados. A proposta busca acelerar o controle dos animais, responsáveis por prejuízos às lavouras e riscos sanitários à suinocultura, mas também levanta dúvidas sobre a eficácia do modelo e sua compatibilidade com a legislação brasileira.
O Projeto de Lei 287/2026 foi aprovado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) em 15 de julho e encaminhado ao governador. Se for sancionado, o incentivo será destinado exclusivamente a pessoas e empresas cadastradas nos órgãos ambientais e autorizadas a realizar o manejo.
O pagamento ainda não está disponível. O governo terá de regulamentar a comprovação dos abates, a fiscalização, a liberação dos recursos e a definição das regiões prioritárias. A proposta classifica o valor como uma indenização pelos custos da operação, como deslocamento, equipamentos e insumos, e não como uma recompensa pela caça.
A distinção é importante porque a legislação brasileira não permite a caça livre. A Lei de Proteção à Fauna proíbe a caça profissional, enquanto a Lei de Crimes Ambientais pune a perseguição, captura ou morte de animais em desacordo com as autorizações exigidas.
O javali é tratado como uma exceção por ser uma espécie exótica invasora. Em 2013, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) reconheceu sua nocividade e autorizou o controle em todo o território nacional. A permissão abrange javalis puros e os diferentes graus de cruzamento com porcos domésticos, popularmente chamados de javaporcos.
Isso significa que o controle já é legal no Brasil, desde que siga as regras federais. O interessado deve inscrever-se no Cadastro Técnico Federal, manter certificado de regularidade, cadastrar a propriedade, obter autorização no Sistema de Informação de Manejo de Fauna (Simaf) e apresentar relatórios das operações. O uso de armas também permanece submetido às normas específicas.
O projeto catarinense não altera essas exigências. A novidade é utilizar dinheiro público para tentar ampliar uma atividade que atualmente depende, em grande parte, dos recursos dos próprios controladores e produtores afetados.
A constitucionalidade do modelo, entretanto, poderá ser questionada porque o projeto se apoia em uma lei estadual que já está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF). A Lei 18.817/2023 autorizou o controle do javali em Santa Catarina por meio de caça, armadilhas e outros métodos aprovados pelos órgãos ambientais.
O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal questionou essa norma na Ação Direta de Inconstitucionalidade 7.808. A entidade sustenta que o Estado avançou sobre regras gerais de proteção à fauna e caça que cabem à União, além de ter criado espaço para práticas recreativas apresentadas como controle ambiental.
A ação ainda não foi julgada. Enquanto isso, a legislação estadual continua em vigor, mas não substitui a autorização federal. Caberá ao STF decidir se Santa Catarina apenas complementou as regras nacionais ou se ultrapassou sua competência.
O pagamento por animal também divide opiniões sobre sua eficácia. Durante a tramitação na Alesc, o parecer inicial da Comissão de Meio Ambiente foi contrário à proposta. O documento reconheceu a necessidade de combater o javali, mas apontou que a simples vinculação do incentivo ao número de animais mortos não garante uma redução sustentável da população.
O parecer acabou rejeitado pela maioria dos deputados. Prevaleceu o entendimento de que o pagamento ajudará a compensar os custos dos controladores sem flexibilizar as exigências ambientais.
O desafio será impedir que o programa se transforme apenas em uma soma de abates isolados. O controle de uma espécie com alta capacidade de reprodução exige planejamento territorial, continuidade das operações e acompanhamento dos resultados. Ações mal executadas podem dispersar os grupos e levar os animais a ocupar novas áreas.
A regulamentação também precisará estabelecer mecanismos contra fraudes. Entre os riscos estão a apresentação do mesmo animal mais de uma vez, o registro de javalis abatidos fora do Estado e até o estímulo à manutenção ou criação clandestina da espécie para obtenção do benefício.
A discussão interessa a produtores de outras regiões porque o problema deixou de estar concentrado no Sul. O Ibama registra javalis no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Tocantins, Maranhão e Roraima.
Introduzido no país principalmente para a produção de carne, o animal encontrou alimento, áreas de abrigo e poucos predadores naturais. A adaptação a diferentes ambientes permitiu que avançasse de regiões de clima temperado para áreas agrícolas do Sudeste e do Centro-Oeste.
Nas propriedades, os grupos invadem lavouras, comem sementes e plantas, derrubam cercas e revolvem o terreno. Milho, soja, trigo, feijão, hortaliças e pastagens estão entre as culturas atingidas. Também há danos a nascentes, áreas de preservação e vegetação nativa.
O risco vai além da perda direta de produção. Javalis podem hospedar agentes infecciosos capazes de atingir os rebanhos comerciais. Essa possibilidade preocupa principalmente regiões com alta concentração de granjas de suínos.
A peste suína africana está entre as doenças de maior atenção. O Brasil não registra a enfermidade, mas uma eventual introdução do vírus em uma população de javalis dificultaria a vigilância e a eliminação dos focos. Também poderia provocar restrições à movimentação dos animais e às exportações brasileiras de carne suína.
Santa Catarina reúne essas diferentes dimensões do problema. É o maior produtor nacional de carne suína, possui lavouras afetadas pelos javalis e apresenta população disseminada da espécie. Ao aprovar o pagamento por abate, o Estado tenta transformar o controle em uma política pública financiada.
O resultado poderá servir de referência para outras unidades da Federação, mas dependerá da capacidade de demonstrar que o dinheiro empregado reduz efetivamente a população e os prejuízos. Antes disso, o projeto precisa ser sancionado, regulamentado e enfrentar a insegurança jurídica criada pela ação em andamento no Supremo.
Fonte: Pensar Agro
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