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Agronegócio

IBS no agronegócio: nova tributação redefine processos fiscais e pressiona eficiência operacional no setor

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Agronegócio entra em nova fase com impacto direto da reforma tributária

O agronegócio brasileiro, que encerrou 2025 com participação de 25,13% no PIB nacional e movimentação estimada em R$ 3,2 trilhões, segundo dados do Cepea/CNA, passa a enfrentar um novo desafio estrutural com a regulamentação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Mais do que uma mudança de siglas, o novo modelo tributário exige reorganização completa de processos fiscais, tecnológicos e operacionais em toda a cadeia produtiva — do campo à exportação.

Para especialistas, o impacto vai além da área contábil e atinge diretamente a gestão de dados, o fluxo de caixa e a governança das operações rurais.

IBS muda lógica tributária e amplia exigência de controle fiscal

O IBS foi criado no âmbito da reforma tributária do consumo e substituirá o ICMS e o ISS, funcionando de forma integrada à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), tributo federal que substitui PIS e Cofins.

O modelo segue a lógica do IVA dual e incide sobre operações com bens e serviços ao longo de toda a cadeia produtiva, incluindo:

Insumos agrícolas

  • Transporte e armazenagem
  • Industrialização
  • Comercialização
  • Arrendamento e cessão de direitos
  • Prestação de serviços no campo

Segundo Altair Heitor, contador, especialista em gestão tributária no agronegócio e CFO da consultoria Palin & Martins, o conceito de operação tributável foi ampliado.

“O IBS altera a lógica de leitura das operações. No agro, onde a cadeia é longa e fragmentada, qualquer inconsistência fiscal pode afetar crédito, apuração e fluxo de caixa”, explica.

Fim dos incentivos estaduais muda competitividade no setor

Com a unificação das regras tributárias e o fim gradual da guerra fiscal entre estados, os incentivos de ICMS deixam de ser o principal fator de competitividade.

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Na prática, a disputa entre estados por atração de investimentos perde força, e a eficiência operacional passa a ser determinante.

“O diferencial deixa de estar no incentivo fiscal e passa a depender da eficiência operacional, da gestão de custos e da qualidade da informação fiscal”, afirma Altair.

Tributação no destino altera dinâmica logística e fiscal

Uma das mudanças mais relevantes do IBS é a adoção da tributação no destino. Isso significa que o imposto será recolhido no local onde ocorre o consumo final do bem ou serviço, e não mais na origem.

No agronegócio, isso impacta diretamente operações interestaduais e cadeias com múltiplos agentes.

Exemplo prático:

Uma revenda de sementes localizada em um estado pode vender o produto para outro e realizar a entrega em uma terceira localidade. Com o IBS, a tributação será vinculada ao destino final da entrega.

“O produtor pode comprar em um estado, vender para outro e entregar em um terceiro. O destino final passa a definir a tributação, exigindo precisão total nos dados fiscais”, destaca o especialista.

Cadeias longas aumentam risco de inconsistência fiscal

O agronegócio é um dos setores mais complexos do ponto de vista tributário devido à extensão da cadeia produtiva, que pode envolver:

  • Produtor rural
  • Cooperativas
  • Transportadoras
  • Armazéns
  • Agroindústrias
  • Exportadores

Com o IBS, cresce a necessidade de rastreabilidade completa das operações.

“O imposto exige coerência entre o que foi comprado, transportado e entregue. Qualquer divergência pode gerar bloqueio de crédito ou erro na apuração”, explica Altair.

Atualmente, o setor já enfrenta altos índices de inconsistência fiscal. Estimativas apontam que mais de 70% das empresas apresentam erros em documentos fiscais, como NCM e CFOP, comprometendo créditos tributários.

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Empresas terão de modernizar sistemas e processos internos

A adaptação ao IBS exigirá mudanças estruturais em tecnologia e governança fiscal. Entre as principais adequações estão:

  • Atualização de ERPs
  • Revisão de cadastros de clientes e fornecedores
  • Parametrização fiscal detalhada
  • Adequação de contratos comerciais
  • Integração entre áreas contábil, fiscal e logística

Informações como local de entrega, tipo de operação e classificação fiscal passam a influenciar diretamente o cálculo do imposto.

“Não é apenas uma mudança tributária, é uma mudança de gestão. Quem não revisar cadastro e sistema corre risco de pagar imposto errado ou perder crédito legítimo”, alerta o especialista.

Crédito tributário dependerá de qualidade da informação

O IBS mantém o princípio da não cumulatividade, permitindo a compensação de créditos ao longo da cadeia produtiva. No entanto, o aproveitamento desses créditos dependerá de documentação correta e integração total das informações fiscais.

“O crédito depende de documento válido, operação correta e registro consistente. Se qualquer etapa falhar, o impacto aparece diretamente no fluxo de caixa”, afirma Altair.

Transição exige planejamento imediato no agronegócio

A recomendação de especialistas é que as empresas iniciem imediatamente a revisão de seus processos fiscais e operacionais.

Segundo Altair Heitor, organizações que se anteciparem terão vantagem competitiva na transição.

“O IBS pode trazer mais previsibilidade tributária, mas isso só se concretiza com controle rigoroso de dados, processos e contratos”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agronegócio

Venda de soja acelera em Mato Grosso e comercialização da safra 2025/26 supera 81%; preços avançam

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Comercialização da soja em Mato Grosso avança com força e preços registram alta

A comercialização da soja em Mato Grosso ganhou ritmo nos últimos meses, impulsionada principalmente pela necessidade de abertura de espaço nos armazéns para a chegada da segunda safra de milho. O movimento também foi favorecido pela valorização dos preços da oleaginosa, levando produtores a intensificarem as negociações tanto da safra atual quanto dos ciclos futuros.

De acordo com levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), as vendas da safra 2025/26 alcançaram 81,04% da produção estimada até maio, representando avanço de 8,52 pontos percentuais em relação ao mês anterior. O percentual também supera em 5,02 pontos percentuais o registrado no mesmo período da temporada 2024/25.

Liberação de armazéns acelera negociações

O avanço da comercialização está diretamente relacionado à necessidade dos produtores de escoar os estoques de soja para receber a safra de milho, cuja colheita começa a ganhar intensidade em diversas regiões do estado.

Além da questão logística, a melhora nas cotações contribuiu para estimular novas vendas. O preço médio da soja da safra 2025/26 encerrou maio em R$ 106,58 por saca, registrando valorização de 1,85% em comparação com abril.

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O cenário reforça a estratégia adotada pelos produtores de aproveitar momentos de recuperação dos preços para ampliar a comercialização e reduzir riscos de mercado.

Safra 2026/27 também registra avanço nas vendas

O movimento de antecipação não se limita à temporada atual. Segundo o Imea, a comercialização da safra 2026/27 atingiu 18,49% da produção projetada, avanço de 4,96 pontos percentuais frente ao mês anterior.

O desempenho também supera em 4,34 pontos percentuais o registrado no mesmo período do ciclo anterior, evidenciando maior interesse dos produtores em travar parte da produção futura.

A antecipação das negociações foi favorecida pela valorização de 1,37% no preço médio mensal da safra futura, que encerrou maio cotada a R$ 109,11 por saca.

Custos elevados e clima mantêm produtores atentos

Apesar do avanço nas vendas, o cenário para os próximos ciclos continua cercado por desafios. O Imea destaca que os elevados custos de produção e as incertezas climáticas seguem sendo fatores de atenção para os agricultores mato-grossenses.

Diante desse ambiente, muitos produtores optam por aproveitar janelas favoráveis de preços para garantir margens e reduzir a exposição às oscilações do mercado.

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A estratégia de comercialização antecipada tem sido uma ferramenta importante para o gerenciamento de riscos, especialmente em um contexto de volatilidade nos mercados agrícolas e de custos ainda elevados para a implantação das lavouras.

Preço da soja disponível também avança

No mercado físico, a soja disponível em Mato Grosso registrou valorização na última semana. O indicador do Imea apresentou alta de 0,54%, encerrando a sexta-feira cotado a R$ 105,17 por saca.

O desempenho positivo reforça o cenário de maior movimentação comercial no estado, que segue como principal produtor de soja do Brasil e referência para o mercado nacional da oleaginosa.

Com a colheita do milho avançando e os produtores atentos às oportunidades de mercado, a tendência é de continuidade do fluxo de vendas nas próximas semanas, tanto para a safra atual quanto para os ciclos futuros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Agronegócio

Paraná amplia exportações de carne de peru e acompanha safra recorde de amendoim no Brasil

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O Paraná reforçou sua relevância no agronegócio brasileiro ao consolidar-se como o terceiro maior exportador de carne de peru do país e participar de um cenário promissor para a produção de amendoim, cuja safra nacional pode alcançar um novo recorde histórico em 2025/26.

As informações constam no mais recente Boletim Conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), que também destaca o bom desempenho das lavouras de milho segunda safra no estado.

Exportações de carne de peru avançam e fortalecem posição do Paraná

O mercado brasileiro de carne de peru registrou crescimento expressivo nos primeiros quatro meses de 2026. No período, o Brasil exportou 22,3 mil toneladas do produto, gerando receita cambial de US$ 90,8 milhões.

O Paraná respondeu por 4.739 toneladas embarcadas, com faturamento de US$ 22,6 milhões, garantindo a terceira colocação entre os maiores exportadores nacionais da proteína.

Em comparação ao mesmo período do ano anterior, os estados da Região Sul apresentaram expansão nas exportações. O Paraná registrou aumento de 6,9% no volume exportado, enquanto Santa Catarina avançou 38,4% e o Rio Grande do Sul cresceu 21,2%.

Outro destaque foi a forte valorização do produto no mercado internacional. O preço médio da carne de peru in natura atingiu US$ 4.059,03 por tonelada, representando alta de 77,6% em relação aos US$ 2.285,33 por tonelada registrados no mesmo período do ano anterior.

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Entre os principais destinos da carne de peru brasileira estão México, Chile, África do Sul, Países Baixos, Peru, Guiné Equatorial, Gana, Benin, Gabão e Bahamas.

Produção de amendoim pode atingir maior volume da história

Tradicional nas festas juninas e cada vez mais valorizado pelo mercado consumidor, o amendoim vive um momento de expansão no Brasil.

As projeções indicam que a safra nacional 2025/26 poderá atingir 1,2 milhão de toneladas, volume que, se confirmado, representará um novo recorde histórico para a cultura.

No Paraná, a expectativa é de produção de aproximadamente 5,6 mil toneladas. A região de Paranavaí lidera o cultivo estadual, concentrando pouco mais de metade da produção paranaense. Já a região de Umuarama responde por cerca de 23% da área plantada.

Segundo análise do Deral, o desempenho reforça a importância crescente da cultura, que ao longo das últimas décadas encontrou novos nichos de mercado após perder espaço para a soja na produção de óleo vegetal.

Até os anos 1970, grande parte do amendoim produzido no Brasil era destinada à indústria de óleo comestível. Entretanto, a expansão da soja e sua maior competitividade econômica reduziram significativamente essa participação, levando o setor a diversificar seus mercados e ampliar a presença em segmentos alimentícios e industriais.

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Milho segunda safra mantém cenário positivo

O milho safrinha também apresenta perspectivas favoráveis no Paraná. O levantamento do Deral confirma a manutenção da área cultivada em 2,9 milhões de hectares na temporada 2025/26.

As condições das lavouras seguem predominantemente positivas. Atualmente, 79% das áreas são classificadas como boas, enquanto 14% apresentam condição média e apenas 7% são consideradas ruins.

Apesar da menor incidência de radiação solar devido ao excesso de dias nublados e das temperaturas mais baixas registradas nas últimas semanas, o cenário climático continua favorável para o desenvolvimento das lavouras.

A ausência de previsão de geadas para os próximos 14 dias mantém o otimismo dos produtores e reduz os riscos para a reta final do ciclo produtivo, fator que sustenta as expectativas de uma safra robusta no estado.

Agronegócio paranaense diversifica resultados

O avanço das exportações de carne de peru, a perspectiva de safra recorde de amendoim e as boas condições do milho segunda safra evidenciam a diversificação e a força do agronegócio paranaense.

Os resultados reforçam a capacidade do estado de ampliar sua participação nos mercados internacionais, ao mesmo tempo em que mantém elevados níveis de produção agrícola, consolidando-se como uma das principais potências do setor agropecuário brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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