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Política Nacional

Datafolha: 69% estão “totalmente decididos” para a Presidência

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7 em cada 10 brasileiros têm certeza em quem vão votar
Reprodução/ TRE-RN

7 em cada 10 brasileiros têm certeza em quem vão votar

Os números da pesquisa Datafolha mais recente, revelam o caminho estreito para as movimentações dos pré-candidatos nos quatro meses restantes até a eleição. De acordo com o instituto, 69% estão “totalmente” decididos a votar no postulante já escolhido, enquanto 30% admitem a possibilidade de mudança. No levantamento anterior, de março, o índice era semelhante: 67% diziam que a definição estava tomada, enquanto 32% consideravam a hipótese de troca.

O patamar impõe desafios tanto para os nomes que se descolaram dos adversários — casos do ex-presidente Lula (PT), que lidera com 48%, e do presidente Jair Bolsonaro (PL), que tem 27% — quanto para os que tentam crescer de forma acelerada em busca do segundo turno, a exemplo de Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB).

No grupo de aliados de Lula, há quem defenda uma intensificação do diálogo com o entorno de Ciro, com o objetivo de fazê-lo abrir mão da disputa. Entre os eleitores do pedetista, 37% apontam o ex-presidente como a segunda escolha, o que poderia alargar a margem em busca da vitória no primeiro turno. Segundo o Datafolha, Lula tem 54% dos votos válidos, o que garantiria o resultado sem a necessidade da segunda etapa, caso o pleito fosse agora.

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O discurso em direção ao PDT, no entanto, já despertou reações. Segundo o presidente da sigla, Carlos Lupi, a insistência em interferir em uma “candidatura irreversível” tem revoltado a base pedetista, o que pode fazer com que Lula fique sem apoio em um eventual segundo turno contra Bolsonaro.

Na avaliação do dirigente, “ninguém tem o direito de interferir na autonomia” do PDT e da candidatura de Ciro, assim como o PDT não tenta reverter a candidatura petista. Ele explica, no entanto, que essa tentativa nunca partiu da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, mas tem sido sutilmente sugerida por parlamentares petistas. A iniciativa, segundo Lupi, pode ter efeito inverso e acabar afastando quadros pedetistas ainda mais da campanha de Lula.

“A Gleisi nunca me falou nisso; é uma mensagem subliminar que vai sendo passada sutilmente pelos deputados do partido. Mas, cada vez que falam isso, vão destruindo pontes para relações futuras. Isso vai revoltar a nossa base, já está revoltando. Se continuar assim, vai chegar lá na frente e muita gente vai querer votar nul”, afirma.

Para o cientista político e professor da PUC-Rio Ricardo Ismael, a intensificação da campanha pode provocar movimentações, ainda que cerca de 70% do eleitorado apresente a intenção de voto como definida.

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“Se isso estivesse acontecendo a 15 dias do primeiro turno, teríamos um quadro de votos consolidados. Há eventos pela frente que podem influenciar a decisão. O que temos neste momento é uma vantagem do Lula que pode ajudá-lo na formação de palanques estaduais”, analisa Ismael.

O Datafolha apontou também reflexos do discurso presidencial com ataques ao processo eleitoral e às instituições. A hipótese de Bolsonaro tentar invalidar as eleições é vista com preocupação por 55% do eleitorado, enquanto 40% dizem que não há motivo para preocupação, e 5% não souberam responder.

Em outro questionamento, 60% avaliaram que as declarações colocando em dúvida o sistema de votação atrapalham as eleições (para 39%, atrapalham muito, enquanto 21% dizem que atrapalha um pouco). Outros 37% consideram que não há interferência.

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Ao escolher Braga Netto, Bolsonaro rejeita sugestão do Centrão

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O presidente Jair Bolsonaro, em cerimônia no Palácio do Planalto
Isac Nóbrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro, em cerimônia no Palácio do Planalto

O Centrão tem muitas vitórias a contabilizar desde que foi incorporado à base de apoio de Jair Bolsonaro, mas nem sempre o presidente atendeu às sugestões do bloco quando o assunto é a eleição em outubro.

Ontem, ao anunciar que o seu vice será o general Walter Braga Netto, Bolsonaro tomou mais uma atitude que contraria o comando político da sua campanha. Ciro Nogueira, Valdemar da Costa Neto e cia queriam que a ex-ministra da Agricultura, Teresa Cristina, ocupasse o posto para criar uma espécie de “fato novo” na disputa contra o ex-presidente Lula.

Desde o fim do ano passado, Bolsonaro já ignorou outras ideias do Centrão, que está preocupado com a alta rejeição do presidente a pouco mais de 3 meses do dia 2 de outubro, data marcada para o primeiro turno das eleições.

Em março, em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI) disse que Bolsonaro havia “perdido a narrativa da vacina” contra a Covid-19. Ele afirmou, porém, que a postura do presidente em relação ao imunizante havia mudado, e que ele iria se vacinar.

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No entanto, Bolsonaro seguiu dizendo que não iria se imunizar. Em dezembro do ano passado, ele chegou a afirmar que também não vacinaria sua filha de 11 anos.

O presidente também segue indo na direção contrária aos conselhos que tem recebido de seus aliados do Centrão em relação aos ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e às urnas eletrônicas.

Após a PEC do voto impresso ser derrotada na Câmara dos Deputados, no ano passado, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), fez um discurso pedindo “bom senso” do poder Executivo.“O esticar das cordas passou de todos os limites. Não podemos chegar à eleição com a versão de que este ou aquele foi prejudicado”, disse Lira. na ocasião.

O recado não surtiu efeito. Bolsonaro seguiu disparando contra ministros do STF e repetindo notícias falsas sobre as urnas. Neste mês, por exemplo, ele voltou a evocar acusações falsas de que teriam ocorrido fraudes em 2018. Além disso, questionou a isenção dos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes para presidir o TSE.

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Fachin diz que a Justiça Eleitoral vai realizar eleições íntegras

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Edson Fachin
O Antagonista

Edson Fachin

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, voltou a defender nesta segunda-feira a segurança das urnas eletrônicas e disse que as eleições de outubro serão “íntegras, seguras e pacíficas”. Ele foi homenageado nesta manhã em Belém, onde recebeu do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará a Medalha de Mérito Eleitoral. Fachin não citou nomes, mas o principal crítico da segurança das urnas eletrônicas, mesmo sem apresentar provas, têm sido o presidente Jair Bolsonaro.

“Mirando os tempos desafiadores que temos pela frente, lembro o que disse Gianfranco Ravasi [cardeal católico]: a luz brilha ainda mais quando brota a escuridão. Nós vamos responder com luz, com civilidade, com serenidade, e também com firmeza”, disse Fachin, concluindo:

“Que as águas das chuvas que acompanham os belenenses praticamente todos os dias durante o seu inverno tropical sejam a metáfora de renovação dos ciclos de paz, prosperidade, numa sociedade livre, aberta e plural que respeite a diferença e que busque a verdadeira igualdade. É com esse espírito que realizaremos as eleições em outubro. Eleições íntegras, seguras e pacíficas, uma vez mais como temos feito há 90 anos.”

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Ele destacou que o trabalho da Justiça Eleitoral é conjunto, de 28 tribunais, numa referência ao TSE e aos 27 TREs instalados nos estados. Lembrou que são cerca de 22 mil servidores e 3 mil juízes, além de 2 milhões de mesários que trabalharão no pleito de outubro. Segundo ele, estão todos “juntos e sintonizados” em prol da democracia.

“Tudo e todos a utilizar um parque de 575 mil seguras urnas eletrônicas. Estamos, pois, a serviço do país e de aproximadamente 152 milhões de eleitores que pacificamente comparecerão às urnas no próximo dia 2 de outubro para manifestar de modo livre e consciente o voto secreto.”

Apesar dos tempos difíceis, demonstrou otimismo:

“Os tempos não são os mais tranquilos. Todavia, como se diz, mar calmo não faz bom marinheiro.”

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